A Copa do Mundo de 2026 inicia nesta quinta-feira (11) com uma ausência que, embora não impacte o torneio em termos esportivos, é significativa do ponto de vista geopolítico: a da China. Com a segunda maior economia e população do mundo, o país ainda possui apenas uma participação na Copa do Mundo masculina, ocorrida em 2002, quando foi eliminado na fase de grupos sem marcar gols, incluindo uma derrota de 4 a 0 para o Brasil.
Em 2011, o líder chinês Xi Jinping expressou desejos ambiciosos para o futebol nacional, incluindo a classificação para a Copa do Mundo masculina, a realização do torneio em solo chinês e a conquista do título. Em 2016, a Associação Chinesa de Futebol anunciou um plano para transformar a China em uma potência do futebol, com metas como a construção de 70 mil campos e a participação de 30 milhões de crianças em atividades esportivas até 2020.
Entretanto, uma recente reportagem revelou que a China não chegou nem perto de cumprir essas metas. Atualmente, o país conta com aproximadamente 980 mil jogadores registrados e 40 mil equipes amadoras, números que ficam aquém dos padrões internacionais, como os da Inglaterra, que possui uma população menor, mas um número maior de jogadores e três vezes mais times.
Além disso, dados indicam que o futebol não se encontra entre os seis esportes mais populares da China, sendo superado por modalidades como badminton e ciclismo. Apesar de investimentos substanciais, que começaram em 2015 e incluíram a contratação de estrelas como Carlos Tévez, Oscar e Hulk, a Superliga Chinesa enfrentou diversos desafios, incluindo a pandemia de Covid-19, que restringiu a presença de público e afetou a dinâmica dos jogos.
Os efeitos da crise imobiliária e investigações sobre corrupção e manipulação de resultados também contribuíram para a necessidade de reestruturação da Superliga. Essa reestruturação, segundo especialistas, pode levar a uma liga mais sustentável financeiramente, embora o caminho para o desenvolvimento de um futebol local forte seja mais longo do que o governo esperava, podendo levar décadas.
Diante desse cenário, a tendência atual é a de uma liga que priorize o controle de gastos e a formação de jogadores locais, em contraste com o modelo anterior focado em estrelas estrangeiras. Essa mudança, embora necessária, pode demandar um tempo considerável para que os resultados se tornem visíveis no futebol chinês.




