O alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Volker Türk, solicitou uma reavaliação profunda da política migratória dos Estados Unidos, especialmente com a aproximação da Copa do Mundo de 2026. Sua declaração surge em um contexto de crescente tensão, com vários participantes da competição enfrentando dificuldades para entrar no país.
Türk expressou sua preocupação com as medidas de controle de imigração que, segundo ele, impactam negativamente os direitos e a dignidade humana. "Espero sinceramente que repensem profundamente sobre a forma como as medidas de controle da imigração afetam os Direitos Humanos e a dignidade humana e que, especialmente às vésperas da Copa do Mundo, sejam revistas políticas que, infelizmente, temos visto prevalecer, sobretudo nos Estados Unidos", afirmou em coletiva à imprensa.
Um exemplo dessa situação ocorreu na última segunda-feira (8), quando o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan teve sua entrada nos Estados Unidos negada, mesmo possuindo um visto válido. Artan, que atua na liga somali, foi reconhecido como o melhor árbitro do ano pela Confederação Africana de Futebol em 2025 e deveria se tornar o primeiro árbitro da Somália a participar de um mundial da FIFA.
A negativa da entrada de Artan não foi esclarecida pelas autoridades de imigração, que mencionaram apenas questões relacionadas aos seus antecedentes. A agência vinculada ao Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos informou que o árbitro foi considerado inadmissível após a inspeção de seus documentos.
A FIFA, por sua vez, esclareceu que não possui influência sobre as decisões de imigração do país anfitrião, que são de responsabilidade exclusiva dos Estados Unidos, um dos três países-sede do Mundial, ao lado do México e do Canadá. Um porta-voz da entidade afirmou que a situação de Artan não deve mudar no momento, dado que a FIFA não intervém nos processos de concessão de vistos.
Além do caso de Artan, informações indicam que a Seleção do Senegal também enfrentou dificuldades ao chegar aos Estados Unidos, onde foi submetida a procedimentos rigorosos de revista, incluindo o uso de cães farejadores. A delegação do Uzbequistão teve uma experiência similar ao desembarcar para um amistoso contra a Holanda, evidenciando o clima de tensão nas relações migratórias entre os países.



