A Copa do Mundo de 2026, que tem seu início marcado para esta quinta-feira, 11, entre México e África do Sul, apresenta uma situação inusitada: ainda restam ingressos para 87 das 104 partidas programadas. Até o momento, cerca de 180 mil entradas para a fase de grupos estão disponíveis para compra na plataforma oficial de revenda da Fifa.
A Fifa não divulga informações oficiais sobre a taxa de ocupação dos estádios nos Estados Unidos, Canadá e México. Entretanto, a quantidade significativa de bilhetes ainda à venda, a um dia da abertura do evento, reacende as críticas em relação aos preços praticados nesta edição do Mundial. Essa é a primeira vez que a entidade implementa um sistema de precificação dinâmica, onde os preços dos ingressos variam conforme a demanda: quando a procura aumenta, os valores se elevam, enquanto em momentos de menor interesse, podem cair.
Esse modelo, bastante utilizado em eventos esportivos nos Estados Unidos, como o Super Bowl, tem gerado controvérsia entre os torcedores. Em algumas situações, os preços de determinados ingressos chegaram a triplicar. Para a grande final, por exemplo, alguns bilhetes superaram a marca de 161 mil reais.
Atualmente, os ingressos para as partidas da fase de grupos estão sendo vendidos entre 353 dólares e 706 dólares, o que equivale a aproximadamente 1.961 reais a 3.926 reais. A diferença de preços é notável, especialmente em jogos que despertam maior interesse. No confronto entre Espanha e Uruguai, o ingresso mais barato teve um aumento significativo, passando de cerca de 600 reais para 1.575 reais.
Robson Carlo, sócio-fundador da FutebolCard, uma empresa especializada em gestão de ingressos e programas de sócio-torcedor, aponta que a precificação dinâmica pode chegar ao futebol brasileiro em breve. Ele observa uma tendência crescente de adoção deste modelo no mercado e acredita que é apenas uma questão de tempo para que esse sistema seja implementado No Brasil.
De acordo com Carlo, o mercado secundário não precisa necessariamente estar associado a preços altos. Ele argumenta que a precificação dinâmica pode ajudar a corrigir problemas de fixação de preços por parte dos clubes, que podem acabar com públicos abaixo do esperado em algumas partidas.



