O Papa Leão XIV divulgou a encíclica intitulada Magnifica Humanitas, na qual formalmente pede perdão pela participação das instituições católicas na escravidão. O pontífice expressou sua tristeza em relação ao sofrimento e à humilhação causados por essa prática, ressaltando a dignidade inerente a todas as pessoas. Embora a Igreja não tenha ensinado que a escravidão era moralmente aceitável, diversas instituições e fiéis estiveram envolvidos na prática ao longo dos séculos, frequentemente influenciados por circunstâncias políticas e econômicas da época.
Na encíclica, Leão XIV fez referência a bulas papais do século XV, como as emitidas por Nicolau V e Eugênio IV, que autorizavam ou regulamentavam a subjugação de povos não cristãos, incluindo muçulmanos e pagãos. O pontífice descreveu essas declarações como momentos em que os princípios do Evangelho foram comprometidos em favor de interesses mundanos, evidenciando uma falha na consciência cristã do período.
A encíclica não provoca uma mudança doutrinária, uma vez que a Igreja afirma que nunca ensinou a justiça da escravidão. Especialistas explicam que as bulas criticadas por Leão XIV eram consideradas 'julgamentos prudenciais', ou seja, decisões que refletiam as situações geográficas e políticas específicas daquela época. Por não serem ensinamentos definitivos sobre fé ou moral, essas bulas estão sujeitas a críticas e não impactam o dogma da infalibilidade papal.
Historicamente, a Igreja já havia recebido condenações isoladas ao longo dos séculos, mas a instituição reconhece que somente em 1888, sob o papado de Leão XIII, uma condenação formal e universal foi estabelecida. Leão XIV admitiu que houve um atraso na denúncia institucional da escravidão e que a Igreja foi gradualmente amadurecendo sua consciência sobre a gravidade do tema.
O texto também enfatiza que Paulo III, em 1537, proibiu a escravização de indígenas americanos, atribuindo essa mentalidade a influências malignas. Já no século XIX, Gregório XVI condenou o comércio de escravos em sua totalidade. Além disso, embora São João Paulo II tenha pedido desculpas genéricas pela participação cristã nessa prática, Leão XIV avançou ao criticar documentos específicos da Santa Sé.




