Na última segunda-feira, 8 de junho, o Papa Leão XIV fez história ao se tornar o primeiro papa a discursar no Congresso dos Deputados da Espanha. Em um evento que contou com a presença de cerca de 700 convidados, o pontífice fez um apelo contundente à classe política, solicitando a defesa da dignidade humana e a proteção da vida "desde a concepção até seu fim natural". A ocasião foi marcada por um forte esquema de segurança e culminou em uma ovação de pé que durou quase sete minutos, acompanhada por gritos de "Viva o papa!".
Durante seu discurso, o Papa Leão enfatizou a importância de não subordinar a dignidade humana ao "consenso social mutável ou aos caprichos da maioria". Ele questionou: "Que futuro podem ter nossas sociedades se a vida deixa de ser reconhecida como um valor fundamental?" O papa destacou que uma comunidade que marginaliza a criança não nascida, o idoso, o doente e aqueles que dependem do cuidado de outros não pode ser considerada plenamente justa.
O discurso do papa ocorre em um contexto em que o governo espanhol, liderado pelos socialistas, tem avançado na proposta de consagrar proteções ao aborto na Constituição. Essa reforma exigirá um amplo consenso parlamentar, incluindo o apoio do Partido Popular, de centro-direita. O Papa Leão XIV afirmou que "toda vida humana deve ser reconhecida e protegida desde a concepção até seu fim natural, em todas as circunstâncias". Ele alertou que, quando essa certeza é obscurecida, os mais vulneráveis se tornam as primeiras vítimas.
O pontífice também defendeu a ideia de que a grandeza moral de uma nação se manifesta na capacidade de proteger e amar as vidas mais frágeis. Ele criticou a superficialidade de leis que não se baseiam no reconhecimento da dignidade da pessoa, afirmando que uma lei atinge sua verdadeira grandeza quando se apresenta dignamente diante da pessoa humana.
Ao final de seu discurso, o Papa Leão XIV ofereceu uma bênção à Espanha, expressando seu desejo de que o país nunca perca suas raízes e mantenha a coragem de olhar para o futuro. Ele desejou que a nação continue a ser um lugar de encontro, cultura, solidariedade e esperança, unindo firmeza nas convicções com a nobreza do diálogo e a grandeza do serviço.




