O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, confirmou em entrevista à emissora britânica Sky News que o bilionário russo Roman Abramovich, ex-proprietário do Chelsea, esteve em Kiev como intermediário do presidente da Rússia, Vladimir Putin. Abramovich se ofereceu para transmitir uma mensagem do governo ucraniano ao Kremlin, visando as negociações de paz entre os dois países.
Durante sua visita, Abramovich comprometeu-se a levar a Putin a mensagem oficial da Ucrânia sobre as condições para avançar nas conversações de paz. Zelensky mencionou que discutiu com o bilionário a situação do Donbass, uma região que inclui Donetsk e Luhansk e que o Kremlin deseja anexar, mesmo as partes que ainda não controla. O presidente ucraniano deixou claro que a Ucrânia não abrirá mão de seu território: “Eu disse a ele [Abramovich] que não vamos deixar [o Donbass] e não vamos deixar nosso território”, afirmou.
Recentemente, Putin havia comentado que um empresário russo trouxe uma mensagem após visitar Kiev, mas não revelou que se tratava de Abramovich. O presidente russo expressou que não vê sentido em se reunir com Zelensky enquanto as forças russas continuam a avançar no campo de batalha. Essa declaração marca a primeira vez que Zelensky reconhece publicamente a presença de Abramovich na capital ucraniana durante as tratativas de um possível cessar-fogo.
Putin tem imposto que a Ucrânia desista do Donbass como uma condição para iniciar conversas sobre o fim do conflito. Entretanto, Kiev rejeita formalmente entregar a região, embora Zelensky tenha admitido a possibilidade de cessar os combates nas linhas de frente atuais como uma estratégia para facilitar as negociações.
Conforme reportado pelo Financial Times, Zelensky convidou Abramovich a Kiev em maio, buscando estabelecer um canal direto de diálogo com Moscou. O presidente ucraniano teria solicitado ao bilionário que transmitisse a Putin sua disposição para uma reunião “a qualquer momento” e “em qualquer formato”.
Abramovich, que enfrenta sanções ocidentais desde a invasão russa à Ucrânia em 2022, já havia desempenhado o papel de mediador em tentativas anteriores de negociação entre Kiev e Moscou. Ele também esteve envolvido em discussões sobre acordos para a exportação de grãos pelo Mar Negro.




