O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tomou a decisão de ativar, pela primeira vez, um Plano Emergencial com o intuito de restringir a geração de Energia Elétrica no Brasil. A ação, que ocorrerá entre 10h e 14h deste domingo (7), é uma resposta ao excesso de oferta de eletricidade no País, especialmente em virtude da alta produção de energia solar. As pequenas usinas solares conectadas às redes de distribuição, em especial nas áreas atendidas pela Energisa MS, serão as mais impactadas pela medida.
A principal justificativa para a implementação do plano é a previsão de um baixo consumo de energia ao longo do dia, aliado a uma elevada produção proveniente de fontes solares. O ONS prevê que a combinação da diminuição da atividade econômica típica dos fins de semana com condições climáticas favoráveis à geração fotovoltaica poderá levar a um cenário em que a oferta de eletricidade supere a demanda. Em situações como essa, equipamentos de proteção podem atuar para desligar automaticamente partes da rede, a fim de manter a estabilidade do sistema.
O Plano Emergencial, que já estava em desenvolvimento, utiliza diretrizes do Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição, aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em novembro de 2025. Esta é a primeira vez que o ONS coloca em prática esse mecanismo, que permite a redução da produção de pequenas centrais hidrelétricas, usinas a biomassa, parques eólicos de menor porte e, especialmente, sistemas solares que não estão sob o controle direto do Operador Nacional.
O ONS realiza um monitoramento do sistema com até sete dias de antecedência e comunica às distribuidoras sobre a necessidade de restringir a geração. As concessionárias têm a responsabilidade de decidir quais empreendimentos terão a produção reduzida, utilizando critérios que priorizam usinas com maior previsão de geração e adotando um sistema de rodízio para evitar que os mesmos geradores sejam prejudicados repetidamente.
A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) informou que as empresas estão preparadas para executar os cortes de produção. No entanto, a associação também destacou a necessidade de estabelecer regras mais detalhadas para orientar o processo, uma vez que a falta de critérios claros pode gerar disputas no setor.
No total, doze distribuidoras participarão da operação, incluindo CPFL Paulista, Cemig, Copel, Celesc, EDP Espírito Santo, Energisa MS, Energisa MT, Equatorial GO, Neoenergia Coelba, Neoenergia Elektro, Neoenergia Pernambuco e RGE. Juntas, essas empresas concentram cerca de 80% da potência instalada das chamadas usinas Tipo III, que são empreendimentos sem gestão centralizada pelo ONS.




