O papa Leão XIV chegou à Espanha na manhã deste sábado, horário de Madri, para uma visita que se estenderá por uma semana, incluindo a capital, Barcelona e as Ilhas Canárias. Durante um encontro que contou com a presença da família real, diplomatas e representantes da sociedade civil, o papa enfatizou a importância da "reconciliação e de uma cooperação mais profundas entre as diferentes forças desta nação". Esse apelo ocorre em meio a tensões entre a hierarquia da Igreja Católica e o governo socialista liderado pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, bem como críticas da direita nacionalista sobre as políticas migratórias do governo.
Em seu discurso, Leão XIV evocou a evangelização da Espanha, destacando a figura do apóstolo São Tiago Maior, especialmente venerado em Santiago de Compostela. O papa também mencionou santos espanhóis significativos, como Santo Inácio de Loyola, fundador da ordem jesuíta, além de Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz. Ao falar sobre as dificuldades enfrentadas pelos indivíduos, ele usou as metáforas do "castelo interior" e da "noite escura da alma", ressaltando que "a partir destas noites escuras, homens e mulheres fiéis à verdade se viram impulsionados a avançar de aposento em aposento até ao ponto em que, no âmago da consciência, a justiça e a paz se abraçam".
O papa convidou todos a abandonarem as narrativas divisórias e polarizadoras que permeiam a realidade social e histórica da Espanha. Ele pediu uma apreciação da complexidade, enfatizando a necessidade de transformá-la em uma bênção, em vez de negá-la, e de evitar abordagens identitárias que, embora pareçam esclarecer tudo, apenas alimentam fantasmas e inimigos. Leão XIV também comentou sobre o período em que a Península Ibérica esteve sob domínio islâmico, entre os séculos 8.º e 15, sugerindo que houve tentativas de promover diálogo e entendimento sobre a verdade.
O Papa se referiu ao Vale dos Caídos, que foi renomeado em 2022 para Vale de Cuelgamuros, um memorial que abriga os restos de combatentes da Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e que anteriormente continha o corpo do ditador Francisco Franco até 2019. Esse local, que inclui uma basílica, um mosteiro beneditino e uma imponente cruz de 150 metros, é alvo de esforços do governo socialista para "ressignificá-lo", o que gera preocupações entre os católicos sobre a preservação dos edifícios religiosos.
Durante o voo de Roma para Madri, o papa não respondeu a questionamentos da imprensa e não abordou diretamente os conflitos entre a Igreja e os socialistas. Em uma breve declaração, ele recordou suas visitas anteriores à Espanha, ocorridas entre 2001 e 2013, e expressou a expectativa que os jovens têm em relação a esta nova visita.




