A Justiça Federal condenou um grupo de oito indivíduos acusados de integrar uma organização criminosa que realizava travessias clandestinas de haitianos do Brasil para a Bolívia. As penas variam entre três anos e quatro meses a 11 anos e 10 meses de prisão, com a decisão assinada pelo juiz federal substituto Rubens Petrucci Junior.
As investigações revelaram que a rede atuou de forma estruturada entre outubro e dezembro de 2021, lucrando com a travessia ilegal de migrantes. O grupo abordava haitianos que chegavam à rodoviária de Corumbá, a 428 quilômetros de Campo Grande, e os encaminhava para imóveis utilizados como hospedagem temporária. Em seguida, taxistas associados à organização transportavam os migrantes até pontos próximos da fronteira, onde atravessadores bolivianos assumiam a condução.
O esquema cobrava entre US$ 100 e US$ 150 por pessoa. Mensagens extraídas de celulares apreendidos durante a operação mostraram negociações sobre valores, quantidade de passageiros e horários para as travessias. Um dos integrantes discutia a possibilidade de transportar grupos de até 28 haitianos, recebendo comissões por cada pessoa que era entregue aos atravessadores.
Na sentença de 24 páginas, o juiz destacou que a estrutura do grupo contava com uma divisão de tarefas e uma rede de contatos na Bolívia, além de uma equipe responsável por captar migrantes, oferecer hospedagem e organizar a passagem pela fronteira. A maior pena foi imposta à taxista Sônia Conceição Paraba Taceo, identificada como a líder do esquema, que foi condenada a 11 anos e 10 meses de prisão.
Os demais condenados incluem Denilson Batista dos Santos e José Barros Ferreira, ambos com pena de 11 anos, e Thaynara Aparecida Tacio Pinheiro, filha de Sônia, que recebeu 7 anos e 10 meses de prisão. Genilton Ferreira de Amorim foi condenado a 8 anos e 4 meses, enquanto Joadilson Pereira e Mauro Medeiros receberam penas de 7 anos e 6 meses e 6 anos e 6 meses, respectivamente. Francisco Alves de Queiroz, responsável pelo transporte de migrantes de Campo Grande para Corumbá, também faz parte do grupo condenado.
A investigação, que resultou na Operação Fom'Ale II, da Polícia Federal, teve início em 2021 e culminou na prisão dos acusados em dezembro do mesmo ano. Após quase cinco anos, a Justiça concluiu que as provas coletadas, que incluíam monitoramentos e depoimentos, demonstraram a existência da organização criminosa e a participação dos réus no esquema.




