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    Cerca de 70 mulheres enfrentaram cassações de mandatos em uma década no Brasil

    RedaçãoBy Redação4 de junho, 2026
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    De 2015 a 2025, 71 mulheres em 19 unidades federativas do Brasil tiveram seus mandatos cassados ou enfrentaram tentativas de cassação. Um levantamento realizado pelo Instituto E Se Fosse Você, divulgado em 3 de outubro de 2023, revela que o aumento significativo desse fenômeno começou em 2019, coincidentemente com o início do governo de Jair Bolsonaro. Em 2015, não havia registros de casos, mas a situação mudou drasticamente após o impeachment da então presidenta Dilma Rousseff em 2016, que marcou o início de uma série de ataques a representantes femininas na política.

    No ano de 2023, durante um período de renovação nas Casas do Congresso Nacional, Senado Federal e Câmara dos Deputados, foram registrados 11 casos de cassações. O recorde foi estabelecido em 2022, com 30 episódios. O levantamento aponta que as vereadoras são as principais vítimas deste fenômeno, com 73% das mulheres atacadas ocupando essa função. Por outro lado, parlamentares estaduais e federais representam 20% dos casos de cassação.

    A análise do relatório indica que a identidade de gênero e o poder político exercido por essas mulheres são fatores cruciais para entender as motivações por trás das perseguições. O estudo identifica um movimento de backlash, que é uma reação organizada contra os avanços conquistados por mulheres, refletindo uma hostilidade política e ideológica.

    Quase 40% das mulheres que tiveram seus mandatos ameaçados pertencem ao Partido dos Trabalhadores (PT) ou ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Os agressores, por sua vez, em sua maioria, estão associados a partidos conservadores, como o Partido Liberal (PL), União Brasil, Partido Progressistas (PP), Partido Social Democrático (PSD) e Movimento Democrático Brasileiro (MDB), totalizando 70% dos casos identificados.

    Além disso, 78% dos agressores são homens cisgêneros, o que sugere que os ataques não se restringem apenas à questão de gênero, mas também se relacionam a posicionamentos políticos e agendas de gênero. Especialistas que participaram do estudo destacam que essa assimetria indica que as cassações frequentemente são orquestradas por grupos conservadores, visando silenciar vozes femininas progressistas.

    O levantamento também revela que o PT aparece tanto como um dos partidos cujas representantes foram vítimas de cassação quanto, em menor escala, como um agente em disputas internas, onde conflitos entre correligionários podem resultar em tentativas de cassação de mandatos. Em suma, mulheres que desafiam as hegemonias políticas locais, seja por meio de sua atuação oposicionista, ideológica ou renovação geracional, tornam-se alvos preferenciais de violência institucional.

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