O governo brasileiro manifestou descontentamento em relação à investigação preliminar realizada pelos Estados Unidos, com base na Seção 301 da legislação comercial americana. Em nota divulgada nesta terça-feira (2), o Palácio do Planalto afirmou que não há justificativa para ações unilaterais contra o Brasil e criticou a apuração como uma tentativa de interferência em assuntos internos. De acordo com o governo, a investigação teria sido motivada por articulações da família Bolsonaro junto às autoridades dos EUA, além de iniciativas que visam prejudicar os interesses econômicos brasileiros durante as negociações comerciais entre os dois países.
O comunicado destaca que a investigação teve início em 15 de julho de 2025, sendo atribuída à provocação da família Bolsonaro. O texto ressalta que tais investidas contam com o apoio de indivíduos que, segundo o governo, usam suas posições públicas para conspirar contra os interesses nacionais. A nota foi divulgada após uma reunião de emergência entre o vice-presidente Geraldo Alckmin e vários ministros, incluindo Márcio Elias Rosa, Sidônio Palmeira, Dario Durigan, Bruno Moretti e José Guimarães, além da representação do embaixador Mauricio Lyrio pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
O governo brasileiro também refutou os argumentos da investigação, alegando que não se sustenta nos dados do comércio bilateral. O comunicado aponta que os Estados Unidos têm registrado superávit nas trocas comerciais com o Brasil ao longo dos anos. Entre 2011 e 2025, os norte-americanos acumularam um saldo positivo de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil. Somente em 2025, o superávit dos EUA foi de US$ 40,5 bilhões.
Apesar das críticas à investigação, o governo brasileiro informou que as negociações com os Estados Unidos seguem em andamento. Durante um encontro em maio, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump acertaram a continuidade das conversas para tentar encerrar a investigação antes de sua conclusão, prevista para 15 de julho. O Brasil também indicou que poderá recorrer à Lei de Reciprocidade Econômica caso considere que as ações dos EUA sejam incompatíveis com as normas do comércio internacional.
A Seção 301 é uma ferramenta da legislação comercial dos Estados Unidos que permite ao governo americano investigar práticas que são consideradas injustas ou discriminatórias por outros países. A conclusão preliminar divulgada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) não implica automaticamente na adoção de medidas contra o Brasil, e a decisão final será anunciada após o término do processo de investigação.




