A Justiça de Campo Grande decretou a prisão preventiva de um homem de 36 anos, acusado de matar um colega de trabalho com um canivete nas Centrais de Abastecimento de Mato Grosso do Sul (Ceasa). O homicídio ocorreu no último sábado (30), e a decisão foi tomada após audiência de custódia realizada ontem (1º).
O advogado do suspeito, Laudo César Pereira, informou que pretende entrar com um pedido de habeas corpus para que seu cliente possa responder ao processo em liberdade. Laudo César também planeja contestar a tipificação do crime como homicídio qualificado, argumentando que não houve emboscada ou traição na ação que resultou na morte de Daniel Queiroz Gomes, de 19 anos, que trabalhava como diarista na Ceasa.
Segundo o advogado, o incidente começou em uma discussão dentro da câmara fria, onde Daniel teria acusado o homem de usar o celular para fotografá-lo. A partir daí, segundo a defesa, a situação se intensificou, levando a um único golpe de canivete desferido em legítima defesa. O advogado alega que, após a discussão, Daniel atacou o suspeito com um murro e um chute, o que teria justificado a reação dele.
Laudo César também relatou que, nos 15 dias que antecederam o crime, os dois haviam se desentendido frequentemente, em parte devido ao fato de que Daniel chegava ao trabalho sob efeito de álcool. Ele afirma que não há qualificadoras no homicídio, já que a vítima não foi atacada por trás e não houve planejamento prévio para o ato.
A defesa busca comprovar a tese de legítima defesa, o que, se aceito, poderia levar à reclassificação do crime para homicídio simples. O Código Penal prevê penas que variam de seis a 20 anos de prisão para esse tipo de crime. Até o momento, não foi possível obter o contato da família ou do representante da vítima para ouvir sua versão sobre o ocorrido, e o espaço permanece aberto para manifestações.
O caso levanta questões sobre a dinâmica de trabalho nas Centrais de Abastecimento e os conflitos que podem surgir em ambientes profissionais, especialmente em situações de tensão e rivalidade. A decisão judicial e o desdobramento do processo devem ser acompanhados de perto, à medida que novos fatos possam surgir durante a investigação.




