O senador Nelsinho Trad, que preside a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado e a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI), revelou na última sexta-feira (29) que o Congresso Nacional irá intensificar as discussões sobre as implicações da recente decisão dos Estados Unidos, que classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Trad informou que já foi aprovada uma reunião de trabalho na CCAI para abordar esse assunto.
O objetivo do encontro é reunir especialistas e representantes de diversas áreas, incluindo inteligência, Ministério da Defesa, Itamaraty e forças de segurança, para analisar como essa medida pode afetar a segurança pública, a soberania do Brasil e sua economia. O senador enfatizou a importância de compreender os impactos dessa decisão americana, afirmando que "precisamos compreender todos os impactos dessa decisão dos Estados Unidos para a segurança, a soberania e a economia brasileira".
Durante uma entrevista ao vivo, Trad também não descartou a possibilidade de realizar uma nova missão diplomática aos Estados Unidos, semelhante àquela que liderou em momentos de crise em relação a tarifas sobre produtos brasileiros. Ele declarou: "Não vamos nos furtar, se houver necessidade, de fazer o mesmo procedimento: montar uma comissão pluripartidária, sem viés político, ir aos Estados Unidos e verificar exatamente quais procedimentos precisam ser tomados para que essa medida possa contribuir para o combate ao crime organizado sem ferir a soberania nacional".
O senador ressaltou que o combate às facções criminosas é uma de suas prioridades e que deve-se considerar seriamente qualquer iniciativa que vise aumentar a segurança da população. Ao mesmo tempo, Trad fez um apelo por cautela ao considerar os potenciais efeitos jurídicos, econômicos e diplomáticos que a decisão dos EUA possa gerar.
"Precisamos sair da polarização e olhar para o interesse do Brasil. É uma questão que envolve segurança pública, relações internacionais, inteligência, soberania e direitos humanos", afirmou. A classificação de organizações como terroristas pelos Estados Unidos já foi anteriormente aplicada a cartéis mexicanos, à MS-13 e ao Tren de Aragua, conforme registros do Departamento de Estado e do Federal Register.
Especialistas alertam que a decisão pode trazer consequências que vão além da segurança pública. O promotor Lincoln Gakiya, reconhecido por seu trabalho no combate ao PCC, indicou que instituições financeiras podem ser impactadas se operações financeiras forem associadas, mesmo que indiretamente, a integrantes de grupos classificados como terroristas. Isso significa que uma empresa brasileira sem vínculos diretos com o crime organizado pode ser afetada, caso bancos, seguradoras ou autoridades internacionais considerem determinadas regiões ou operações financeiras como áreas de risco ampliado.




