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    Home»MS em foco»Promotoria pede reconhecimento de feminicídio em caso de dupla morte em Campo Grande
    MS em foco

    Promotoria pede reconhecimento de feminicídio em caso de dupla morte em Campo Grande

    RedaçãoBy Redação27 de maio, 2026
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    Durante o julgamento de João Augusto Borges, de 22 anos, a promotora Luciana do Amaral Rabelo defendeu que as mortes de Vanessa Eugênia Medeiros e de sua filha, Sophie Eugênia Borges, devem ser classificadas como feminicídios. A argumentação se baseia no fato de que os crimes aconteceram em um cenário de violência doméstica, e a promotora afirmou que "a Justiça não pode hoje calar o choro da Sophie, porque essa defesa a natureza deu aos bebês." A acusação foi apresentada na 2ª Vara do Tribunal do Júri, localizada em Campo Grande.

    O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) denunciou João por duplo feminicídio qualificado, além de ocultação e destruição de cadáveres. Durante a sustentação oral, foram exibidos no telão vídeos que mostram a confissão do réu à polícia, assim como depoimentos de um ex-colega. João, sentado de costas, não se virou em nenhum momento e manteve a cabeça baixa.

    Luciana Rabelo criticou a postura de João, que teria comentado com amigos e colegas sobre a intenção de cometer o crime, sem que ninguém acionasse as autoridades. "Olha como nossa sociedade é tolerante com os homens. Ele falou para uns 10, 12 o que ele ia fazer", argumentou a promotora, ressaltando a falta de intervenção por parte das pessoas ao seu redor.

    A promotora também contestou a alegação de que não haveria feminicídio devido à ausência de um histórico prévio de agressões. Ela destacou que a legislação reconhece o crime quando ocorre no ambiente familiar ou em relações de convivência e afetividade. Luciana lembrou que Vanessa e João estavam em união estável há cerca de dois anos e que o feminicídio não depende de registros anteriores de agressões.

    De acordo com a acusação, a morte de Vanessa foi motivada pela recusa de João em aceitar a responsabilidade sobre o relacionamento, a separação e a filha pequena. Já o assassinato de Sophie foi atribuído à negativa do réu em assumir suas obrigações paternas. A promotora enfatizou a importância de preservar a dignidade da memória da criança, afirmando que a legislação prioriza a proteção dos direitos infantis.

    O crime ocorreu em 26 de maio de 2025, em Campo Grande. A investigação aponta que João matou Vanessa e Sophie durante seu horário de almoço e, em seguida, retornou ao trabalho. Posteriormente, levou os corpos no porta-malas do carro até uma área de mata no Indubrasil, onde as vítimas foram deixadas e incendiadas. Os corpos foram descobertos na madrugada seguinte por um vigilante, que imediatamente acionou a Polícia Militar.

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