Moradores e proprietários de chácaras nas proximidades da Santa Rita Indústria de Óleos e Proteína S.A., localizada às margens da BR-163 em Jaraguari, apresentaram queixa ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) por conta da emissão frequente de mau cheiro e possíveis poluentes atmosféricos oriundos da unidade de processamento de resíduos de origem animal. A denúncia resultou na abertura de uma Notícia de Fato pela 1ª Promotoria de Justiça de Bandeirantes, que investiga os possíveis impactos ambientais e sanitários decorrentes das atividades da indústria.
Um abaixo-assinado protocolado no MP em outubro de 2025 reuniu relatos de moradores da região, que afirmam que o odor “extremamente forte e desagradável” se torna mais intenso, especialmente aos fins de semana e durante os horários de maior produção da fábrica. Os denunciantes relataram que o cheiro se espalha pelo vento, invadindo residências e chácaras, tornando insuportável a permanência nos imóveis. As reclamações também incluem a presença de moscas e insetos, além de danos à qualidade de vida e desvalorização imobiliária.
Os moradores destacam que a situação impacta diretamente a saúde física e mental das famílias, provocando sintomas como náuseas, dores de cabeça, estresse e ansiedade. O problema, segundo os relatos, não é recente, sendo corroborado por avaliações publicadas no Google Maps ao longo de meses e até anos, onde usuários mencionam o forte odor da empresa. Algumas mensagens anexadas ao processo descrevem o cheiro como “insuportável” e solicitam intervenções ambientais.
Os denunciantes afirmaram que tentaram dialogar com representantes da Santa Rita, que teriam informado que estavam investindo em filtros para minimizar os odores. No entanto, os moradores alegam que tais medidas não tiveram sucesso e o problema persiste. Para reforçar as queixas, a indústria é considerada essencial para a cadeia produtiva da proteína animal e para a destinação adequada de resíduos de frigoríficos e abatedouros.
A empresa, em sua defesa, declarou que realiza investimentos contínuos para reduzir os impactos atmosféricos e apresentou informações sobre os equipamentos instalados na unidade. Dentre esses, estão aerocondensadores que transformam vapores gerados no processo industrial em água para tratamento de efluentes, evitando a liberação de odores característicos na atmosfera. A Santa Rita informou ter recebido autorização ambiental para a instalação de um conjunto de aerocondensadores em março de 2024 e solicitou nova autorização ao Imasul em julho de 2025 para ampliar o sistema.
Além disso, a empresa afirmou ter investido mais de R$ 3 milhões em equipamentos voltados ao controle ambiental, incluindo aerocondensadores, biofiltros e sistemas de monitoramento atmosférico, com o objetivo de minimizar os efeitos de sua atividade sobre o Meio Ambiente.




