O Departamento de Justiça dos EUA formalizou, nesta quarta-feira (20), a acusação contra o ex-ditador cubano Raúl Castro, que tem 94 anos e é irmão do falecido Fidel Castro. As alegações envolvem a derrubada de dois aviões civis do grupo humanitário Irmãos para o Resgate, ocorrida em 1996, quando Raúl Castro ocupava o cargo de ministro das Forças Armadas. No ataque, realizado por um caça MiG-29 da Força Aérea Cubana, quatro pessoas perderam a vida.
O indiciamento aconteceu no Tribunal Distrital para o Sul da Flórida, onde o ex-governante é acusado de quatro homicídios, dois crimes de destruição de aeronaves e um crime de conspiração para matar cidadãos americanos. Juntamente com Raúl Castro, outros cinco militares cubanos também estão sendo processados: Emilio José Palacio Blanco, José Fidel Gual Barzaga, Raúl Simanca Cárdenas, Luis Raúl González-Pardo Rodríguez e Lorenzo Alberto Pérez-Pérez.
Após o anúncio das acusações, o presidente Donald Trump se manifestou, afirmando que os EUA estão em um processo de "libertação de Cuba" e ressaltou que não pode prever o que acontecerá com a ilha a seguir. Ele enfatizou que não se pode tolerar um estado que abriga operações militares e terroristas a apenas 145 quilômetros do território americano.
Durante uma coletiva, Todd Blanche, procurador-geral interino dos EUA, destacou o comprometimento da administração Trump em perseguir aqueles que cometem crimes contra cidadãos americanos. Ele afirmou que a acusação contra Raúl Castro representa um marco, sendo a primeira vez em quase sete décadas que líderes do regime cubano enfrentam a justiça nos EUA. Blanche reiterou que a política do governo é clara: "Se você matar americanos, nós o perseguiremos".
A reação do governo cubano não se fez esperar. O atual presidente Miguel Díaz-Canel classificou as acusações como uma ação política desprovida de fundamento legal, destinada a justificar uma agressão militar. Ele argumentou que essa manobra reflete a arrogância e a frustração que a firmeza da revolução cubana provoca em representantes do país que considera um império. Díaz-Canel ainda defendeu a integridade de Raúl Castro, considerando a decisão dos EUA uma tentativa ridícula de diminuir sua imagem como herói da revolução cubana.




