Durante uma entrevista no voo de retorno de sua viagem à África, o Papa Leão XIV afirmou que o Vaticano não apoia a bênção formal de casais homossexuais, nem de uniões que não estejam de acordo com a doutrina católica. Esta declaração foi uma resposta a uma pergunta sobre a decisão do cardeal Reinhard Marx, que autorizou celebrações de bênção para casais do mesmo sexo e divorciados recasados civilmente em sua arquidiocese.
O pontífice enfatizou que "a Santa Sé deixou claro" que não concorda com a formalização de bênçãos para essas uniões. Ele explicou que a Igreja distingue entre acolher todas as pessoas e reconhecer formalmente determinadas uniões. Leão XIV ressaltou que a declaração anterior do papa Francisco sobre bênçãos se referia a bênçãos gerais, realizadas ao final de missas ou grandes celebrações, e não a bênçãos específicas para casais.
Na visão do Papa Leão XIV, a unidade da Igreja não deve ser pautada por questões sexuais, mas por temas morais mais amplos, como justiça e liberdade. Ele destacou que questões de justiça, igualdade e liberdade religiosa são mais urgentes para o debate público da Igreja.
Essas declarações do papa surgem em um momento em que o cardeal Marx implementou o documento “A Bênção Dá Força ao Amor” na arquidiocese de Munique e Freising, a partir de junho de 2023. Este documento prevê orientações para padres e equipes pastorais sobre celebrações de bênção voltadas a casais do mesmo sexo e divorciados recasados civilmente, sendo parte do Caminho Sinodal alemão, um processo de reformas na Igreja da Alemanha.
A proposta que fundamenta este documento recebeu 92% de aprovação na quinta assembleia sinodal realizada em março de 2023 e será oficialmente apresentada pela Conferência Episcopal Alemã e pelo Comitê Central em 2025. O Papa Leão XIV acredita que ir além das bênçãos gerais pode causar mais desunião do que promover a unidade, enfatizando que a verdadeira unidade deve ser construída sobre os ensinamentos de Jesus Cristo.




