O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na terça-feira (21) a prorrogação do cessar-fogo com o Irã, sem um prazo definido para encerramento. Em uma publicação na rede Truth Social, Trump informou que a trégua permanecerá ativa até que o Irã apresente uma proposta formal e as negociações sejam finalizadas. Essa decisão ocorreu a pedido do Paquistão, que está atuando como mediador entre as partes envolvidas.
Essa nova extensão do cessar-fogo contraria uma declaração feita por Trump horas antes, quando afirmou à CNBC que não tinha a intenção de prolongar a suspensão das hostilidades. O cessar-fogo original foi declarado no início de abril e tinha um prazo de duas semanas, que se encerraria na quarta-feira (22). Na segunda-feira (20), o presidente havia mencionado à Bloomberg que era "altamente improvável" renovar a trégua sem um acordo prévio.
Apesar da prorrogação, as condições militares permanecem inalteradas. Trump manteve o bloqueio naval americano contra embarcações iranianas, uma medida que foi implementada após a primeira rodada de negociações, que ocorreu nos dias 11 e 12. O presidente dos EUA também ordenou que as Forças Armadas permanecessem "prontas e aptas" para agir em qualquer situação. No último domingo, forças americanas apreenderam um navio-contêiner iraniano, a primeira interceptação desde o início do bloqueio, o que foi classificado pelo comando militar iraniano como um ato de pirataria e uma violação do cessar-fogo, conforme informações da Associated Press.
O anúncio da prorrogação do cessar-fogo ocorreu após o colapso de uma nova tentativa de reiniciar o diálogo. O vice-presidente JD Vance havia planejado viajar a Islamabad, capital do Paquistão, para uma segunda rodada de conversas, mas acabou cancelando a visita. O Irã condicionou sua participação no diálogo ao fim do bloqueio naval americano, que o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, descreveu como um "ato de guerra".
Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e líder da delegação de seu país, afirmou que o Irã não aceita negociações que ocorram sob a ameaça. Trump justificou sua decisão, segundo a Agência EFE, destacando que o governo iraniano está "gravemente dividido" e que atendeu ao pedido do Paquistão para aguardar que os líderes de Teerã apresentem uma "proposta unificada".
Antes de fazer o anúncio, Trump se reuniu na Casa Branca com membros do Conselho de Segurança Nacional, logo antes do fim do prazo do cessar-fogo. Participaram do encontro o vice-presidente Vance, o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Defesa Pete Hegseth, além dos enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump. Em declarações anteriores, Trump havia deixado a possibilidade de retomar os ataques em aberto, caso o prazo expirasse sem um acordo. Ele mencionou: "Espero continuar bombardeando porque acho que essa é a melhor postura a se adotar". Quando questionado sobre a possibilidade de os combates reiniciarem imediatamente na ausência de um acordo, respondeu: "Se não houver acordo, certamente esperaria que sim."




