Na manhã do dia 21, uma caminhada em repúdio à violência de gênero e ao feminicídio reuniu um expressivo número de participantes no centro de Campo Grande. O evento iniciou-se na Praça Ary Coelho e seguiu até a Praça do Rádio, com a predominância de mulheres, que se uniram em um ato de conscientização e homenagem às vítimas de feminicídio no estado e em todo o país. Em Mato Grosso do Sul, onze mulheres já perderam a vida para essa prática criminosa somente neste ano.
A mobilização foi organizada por amigas da subtenente da Polícia Militar Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, que foi encontrada morta a tiros em sua residência na Capital. O caso gerou grande comoção social e reacendeu o debate sobre a violência contra a mulher Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. A policial da reserva Denise Benevides Schneider, uma das organizadoras, expressou que o ato surgiu da indignação diante da tragédia que vitimou Marlene, ressaltando que a sociedade muitas vezes julga sem compreender o que as vítimas enfrentam. "Se a gente não fizer nada, isso vai continuar. Não é só violência doméstica, é uma questão de saúde pública", afirmou.
Durante a caminhada, o deputado estadual Coronel David, do PL, fez um discurso repleto de emoção, abordando a cultura de culpabilização das vítimas e a necessidade de um maior envolvimento da sociedade, especialmente dos homens, na luta contra a violência. "Estamos aqui para homenagear uma mulher que esbanjava alegria e que foi vítima de uma violência que tem tirado muitas mulheres do nosso convívio", disse o parlamentar.
Coronel David também destacou a baixa presença masculina no ato e enfatizou que a mudança de atitude precisa partir dos homens. "Esse é um movimento em que deveríamos ter muito mais homens. A culpa nunca é da mulher, é sempre do agressor", frisou. O deputado ainda criticou discursos que tentam responsabilizar as vítimas, afirmando que não se deve transferir a culpa para quem sofre a violência.
Além de prestar homenagem, a caminhada teve como objetivo conscientizar a sociedade sobre a gravidade da violência doméstica e do feminicídio. O parlamentar ressaltou que iniciativas como essa são fundamentais para estimular o debate público e promover mudanças culturais. "A solução passa pela mudança de comportamento e de consciência dentro da sociedade, principalmente dos homens. Isso começa dentro de casa e na escola", destacou.
Na Assembleia, Coronel David informou que tem trabalhado junto a órgãos de segurança e justiça para aprimorar os protocolos de atendimento às vítimas. Apesar dos avanços em Mato Grosso do Sul, ele reconheceu que ainda há muito a ser feito. A caminhada serviu como um apelo coletivo da sociedade por mais conscientização, apoio às vítimas e responsabilização dos agressores, em um contexto onde os casos de feminicídio continuam a crescer no Brasil.



