O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em visita à Alemanha, manifestou sua oposição a qualquer tipo de intervenção externa em Cuba. Durante uma declaração ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz, Lula afirmou: "Sou contra qualquer país do mundo a se intrometer na ingerência interna de outras nações". O presidente destacou que Cuba é uma vítima de um bloqueio que perdura há 70 anos, o qual considera uma vergonha mundial, e que impediu o país de se desenvolver após a revolução.
Lula fez suas declarações em um contexto de crescente tensão entre os Estados Unidos e Cuba. O ex-presidente Donald Trump, em uma recente fala, insinuou que, após o Irã, poderia voltar suas atenções para Cuba, o que intensificou a preocupação com a situação na ilha caribenha. Desde a captura de Nicolás Maduro, em janeiro, os EUA têm buscado reativar sua ofensiva contra o regime cubano, o que analistas interpretam como uma tentativa de redirecionar a atenção da mídia e reafirmar sua posição no cenário internacional.
Além de seu posicionamento sobre Cuba, o presidente brasileiro abordou a necessidade de reformas na Organização das Nações Unidas (ONU), apontando a paralisia da entidade. Lula criticou a inação do Conselho de Segurança, afirmando que "entre ação dos que provocam guerras e a omissão dos que ficam calados, a ONU está mais uma vez paralisada". Ele enfatizou a urgência de se promover mais diálogo e multilateralismo nas relações internacionais.
O presidente também mencionou a importância de ampliar a composição do Conselho de Segurança, sugerindo que mais países, como a Etiópia, deveriam ter assento na entidade. Lula reiterou que o mundo precisa de uma ONU mais eficaz e representativa, capaz de lidar com os desafios contemporâneos.
Por fim, Lula criticou a postura dos Estados Unidos em relação à África do Sul, afirmando que não é justo que um membro do G20 seja excluído de eventos internacionais. Ele mencionou que, no final de 2025, Trump havia informado que os EUA não convidariam a África do Sul para a cúpula do G20, devido à recusa do governo sul-africano em abordar os abusos dos direitos humanos contra os Africâneres e outros descendentes de colonos europeus.
As declarações de Lula refletem uma postura firme do Brasil em defesa da soberania das nações e a promoção de uma ordem internacional mais justa e equitativa, em um momento de intensificação das tensões geopolíticas.




