Em abril de 2023, a presidente da Hungria, Katalin Novák, assinou uma lista de 25 indultos, um gesto que ocorreu durante a visita do papa Francisco ao país. Entre os beneficiados estava um ex-subdiretor de um orfanato de Budapeste, condenado por pressionar crianças a retirar denúncias de abuso sexual. O diretor do orfanato, que havia sido condenado a oito anos de prisão por abusos, também estava envolvido no caso. O indulto liberou o ex-subdiretor, que estava na fase final de sua pena, e a situação permaneceu desconhecida por quase um ano.
A revelação do caso pelo portal 444.hu em 2 de fevereiro de 2024 provocou uma intensa crise política na Hungria. Em meio a protestos populares, Katalin Novák decidiu renunciar ao cargo durante uma transmissão ao vivo, reconhecendo um “erro” em sua decisão. Judit Varga, então ministra da Justiça que havia referendado o indulto, também deixou seu posto, assim como a posição que ocuparia nas eleições europeias de 2024.
As duas figuras eram vistas como fundamentais dentro do Fidesz, partido do premiê Viktor Orbán. A saída delas foi um golpe significativo e contribuiu para a reativação do partido Tisza, que, no dia 12 de fevereiro de 2024, venceu as eleições parlamentares, encerrando um ciclo de 16 anos de liderança de Orbán.
O Tisza, fundado em 23 de outubro de 2020 por Attila Szabó e Boldizsár Deák, é um partido de centro-direita. Seu nome é um trocadilho que combina as palavras húngaras para respeito e liberdade, além de fazer referência ao rio Tisza, um símbolo nacional.
A vitória do Tisza gerou reações positivas entre líderes europeus, que veem essa mudança como uma oportunidade para fortalecer as relações da Hungria com a União Europeia. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, expressou otimismo, afirmando que "o coração da Europa bate com mais força na Hungria". O chanceler alemão, Friedrich Merz, e o presidente francês, Emmanuel Macron, também congratularam o novo líder, Péter Magyar.
O primeiro-ministro finlandês, Petteri Orpo, manifestou esperança de que Magyar trabalhe para restaurar a confiança entre os membros da União Europeia, destacando a necessidade de um novo direcionamento nas relações húngaras com o bloco.




