Historicamente, os trabalhadores das fazendas de Mato Grosso do Sul consumiam uma variedade de bebidas, entre elas a cachaça, que era amplamente produzida em pequenos alambiques. Contudo, o vinho de buriti destacava-SE como a bebida mais apreciada, sendo considerado um verdadeiro oásis no sertão.
Cavalgar ou percorrer a pé os sertões da região era uma atividade desgastante, especialmente devido ao calor intenso e ao denso mato. Os buritis, nesse cenário, surgiam como pontos de alívio, proporcionando sombra e água, essenciais para enfrentar o clima severo, principalmente nos meses de dezembro e janeiro, quando o calor era extremo.
O fruto do buriti, grande e ovalado, apresenta uma casca com escamas amarelas e esconde uma castanha com sabor doce, muito valorizada pelos caboclos. Essa castanha era utilizada na produção de um vinho considerado nutritivo e curativo, disputado até por aves como as araras.
Além da bebida, o buriti tinha diversas aplicações práticas. Sua madeira servia para construção de casas, cercas e pocilgas, enquanto suas fibras eram transformadas em cordas e suas palhas em coberturas para habitações e chapéus. Os buritis eram, portanto, uma parte importante da vida no sertão.
Entre as regiões de Coxim e Rio Negro, vastos buritizais eram comuns, embora a área de Miranda e Nioaque, apesar de ter solo e clima semelhantes, apresentasse escassez dessas palmeiras. O buriti, reconhecido como uma das palmeiras mais belas do Brasil, tem um papel significativo na cultura local, embora sua presença tenha diminuído ao longo do tempo.




