O aumento dos casos de influenza A tem gerado preocupação, mas o vírus sincicial respiratório (VSR) também representa uma ameaça significativa à saúde dos brasileiros. No primeiro trimestre de 2023, dados do Ministério da Saúde indicam que 18% dos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) confirmados foram atribuídos ao VSR, uma infecção ainda pouco reconhecida.
A expectativa é de que os casos aumentem neste segundo trimestre. Entre fevereiro e março, o VSR foi responsável por 14% dos casos confirmados de síndrome, conforme o Boletim Infogripe da Fundação Oswaldo Cruz. A proporção subiu para 19,9% de março a abril. Em 2025, o VSR foi o vírus mais prevalente durante 23 semanas, de março a agosto.
Dados de laboratórios privados também revelam que, na semana que terminou em 4 de abril de 2023, 38% dos testes positivos para vírus identificaram o VSR. Essa taxa é 12 pontos percentuais maior do que a observada na primeira semana de março, conforme informações do Intituto Todos pela Saúde.
A pneumologista Rosemeri Maurici, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), alerta que esses dados são apenas a “ponta do iceberg” e que o risco do VSR é frequentemente subestimado, especialmente em adultos e idosos. A testagem para o VSR no Brasil só começou a ser realizada em maior escala com a pandemia de covid-19, o que impede um entendimento completo do impacto da doença.
Dos cerca de 27,6 mil casos de SRAG registrados no primeiro trimestre, apenas um terço, ou 9.079, teve o agente causador identificado, e quase 17% não foram testados. O VSR é o principal responsável pela bronquiolite, que afeta principalmente crianças, mas também pode levar a um rápido agravamento da função pulmonar em adultos, aumentando a probabilidade de internações.
A vacinação é uma medida preventiva contra o VSR e seu agravamento, mas atualmente, as vacinas para adultos estão disponíveis apenas na rede privada. O Programa Nacional de Imunizações do Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina apenas para gestantes, visando proteger os bebês nos primeiros meses de vida. A Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda a imunização para pessoas de 50 a 69 anos com comorbidades e para todos os idosos a partir dos 70 anos. Rosemeri Maurici sugere que as sociedades médicas indiquem grupos prioritários à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS-Conitec, que é responsável por recomendar novas terapias ao Ministério da Saúde.



