A Justiça federal da Argentina revogou, nesta quinta-feira (9), o sigilo bancário, financeiro e fiscal de Manuel Adorni, chefe de gabinete do presidente Javier Milei. Ele é alvo de uma investigação por suposto enriquecimento ilícito, medida que também abrange sua esposa, Bettina Angeletti, e a empresa AS Innovación Profesional, de propriedade do casal.
A solicitação para revogar os sigilos foi feita pelo procurador Gerardo Pollicita, que argumentou a necessidade de reconstituição do patrimônio de Adorni antes de sua entrada no serviço público, iniciada em dezembro de 2023. O pedido inclui a análise das mudanças patrimoniais ocorridas antes e depois desse período.
De acordo com informações, Adorni é investigado por transações imobiliárias que envolvem pelo menos dois imóveis não declarados. Um deles é um apartamento no bairro de Caballito, em Buenos Aires, e o outro está localizado em um condomínio fechado na cidade de Exaltación de la Cruz.
Recentemente, foi revelado que o chefe de gabinete comprou o apartamento em novembro de 2025 por US$ 230 mil. Para concluir a transação, ele recebeu um empréstimo de US$ 200 mil de duas aposentadas, de 72 e 64 anos, que eram AS vendedoras do imóvel.
A investigação foi impulsionada por informações sobre a participação de Angeletti em uma viagem oficial à Nova York, onde não ocupava cargo oficial. Outro ponto que gerou suspeitas foi um vídeo que mostrava Adorni e sua família embarcando em um avião particular para Punta del Este, viagem que custou cerca de US$ 10 mil.
Em resposta às acusações, Adorni afirmou que construiu seu patrimônio antes de assumir o cargo e que não tem nada a esconder. Ele declarou que mantém padrões de transparência que não eram comuns em administrações anteriores na Argentina.




