O mercado global de cacau iniciou 2026 em transição para um novo ciclo, marcado pela saída de um cenário de escassez para um ambiente de maior equilíbrio entre oferta e demanda. A produção mundial apresentou recuperação relevante na safra 2024/25, com crescimento de 11%.
A retração da demanda é o principal fator de ajuste do mercado. A moagem, considerada um termômetro do consumo, apresentou queda significativa nos principais centros consumidores. No Brasil, a moagem caiu 14,6% em 2025, enquanto o recebimento de amêndoas avançou 3,7%, indicando uma demanda doméstica mais fraca diante de custos elevados.
O mercado segue sujeito a volatilidade, pois a produção global permanece altamente concentrada na África Ocidental, responsável por mais de 70% da oferta, e enfrenta desafios estruturais, como envelhecimento das lavouras, baixa adoção tecnológica e riscos fitossanitários.
O relatório destaca que os preços elevados do cacau nos últimos anos foram repassados ao consumidor final, reduzindo o consumo de chocolate e levando a indústria a ajustar formulações e portfólio de produtos. Isso reforça o caráter cíclico do mercado, em que preços altos acabam provocando destruição de demanda.




