A evolução do ensino superior no Brasil nos últimos anos esconde uma realidade preocupante. Embora as matrículas tenham saltado de cerca de 3,5 milhões para perto de 10 milhões, esse aumento é em grande parte impulsionado pelo ensino a distância (EaD), enquanto a formação presencial enfrenta estagnação. O setor privado, que detém 80% das matrículas, apresenta um crescimento de apenas 3% desde os anos 2000, muito abaixo do crescimento populacional.
O estado de São Paulo exemplifica essa problemática, com a participação nas matrículas presenciais na rede pública se mantendo em pouco mais de 200 mil. Esse número revela sinais de estagnação, especialmente em um contexto econômico que demanda inovação. A qualidade da educação está em questão, com o Enade 2023 mostrando que o desempenho dos alunos de EaD é alarmante, refletindo um sistema que prioriza a quantidade em detrimento da qualidade.
O financiamento insuficiente é uma das principais causas desse cenário. A responsabilidade pela educação superior é dividida entre União e Estados, mas os investimentos permanecem aquém do necessário. Enquanto a rede pública conseguiu dobrar suas matrículas presenciais, a participação relativa do setor público no sistema de ensino caiu de 30% para 20%, evidenciando um sistema de duas velocidades.
O crescimento do setor privado, que abandonou a presencialidade, gera preocupações sobre a formação de profissionais capacitados. O ensino superior brasileiro enfrenta desafios graves, com resultados insatisfatórios nas avaliações e uma taxa de analfabetismo que se destaca negativamente na América do Sul, resultando em um ciclo vicioso que compromete a educação no país.




