Especialistas alertam que a escalada do conflito no Oriente Médio está transformando o Estreito de Ormuz em um gargalo logístico, o que resulta em elevação de fretes, seguros e custos de fertilizantes. Isso já impacta a safra de verão 2026/2027 em Mato Grosso do Sul, especialmente para soja e milho. Aproximadamente 60% dos insumos necessários para o próximo plantio ainda serão adquiridos aos preços atuais, elevando os custos de produção e podendo gerar reflexos inflacionários.
No Brasil, os preços da ureia, o fertilizante mais afetado, subiram 50% nos últimos 30 dias e 89% na comparação anual. A China também tem reforçado restrições às exportações, o que deve reduzir a oferta no mercado interno. Em Mato Grosso do Sul, cerca de 40% dos fertilizantes já foram comprados, próximo da média histórica, mas a maior parte ainda será adquirida com preços elevados, impactando o custo para os produtores.
Os analistas apontam que, se o conflito continuar e os preços se mantiverem altos, os produtores não poderão postergar as compras por muito tempo. O Oriente Médio é um dos principais polos globais de produção de fertilizantes, com forte dependência do gás natural, que também está sendo afetado pela situação geopolítica. Isso poderá resultar em escassez no mercado global, especialmente com o início das compras para a próxima temporada.
Há relatos de mais de 20 navios parados na região, transportando cerca de 1 milhão de toneladas de fertilizantes. O Oriente Médio foi responsável por 17% dos fosfatados importados pelo Brasil em 2025, além de 16% dos nitrogenados e 10% dos potássicos. A situação atual levanta preocupações sobre o desabastecimento e a continuidade do comércio de insumos essenciais.




