A proposta de concessão da hidrovia no Rio Paraguai inclui intervenções em aproximadamente 590 quilômetros, abrangendo o tramo sul entre Corumbá e Porto Murtinho. As operações estão planejadas para ocorrer durante todo o ano, o que gerou preocupações entre pesquisadores e organizações ambientais sobre os possíveis impactos no ecossistema do Pantanal e a falta de estudos necessários.
Em janeiro, o governo federal anunciou a intenção de realizar o leilão da concessão no segundo semestre. O projeto faz parte do Programa de Concessões, que visa modernizar o transporte hidroviário e aumentar a eficiência logística, especialmente para a produção mineral de Corumbá. A mineradora LHG Mining solicitou licença para expandir sua produção de minério de ferro, acentuando as discussões sobre o escoamento via hidrovia.
Uma audiência pública foi realizada para debater os impactos da hidrovia Paraguai-Paraná no Pantanal, reunindo autoridades, pesquisadores e representantes da comunidade. Durante o evento, foram levantadas questões sobre a privatização do rio, enfatizando a necessidade de preservar o fluxo das águas, essencial para o Pantanal, que é considerado patrimônio da humanidade.
A pesquisadora Débora Calheiros, da Embrapa Pantanal, destacou que a navegação no Rio Paraguai, historicamente, respeitava os períodos de seca. A proposta de operação contínua, segundo ela, pode comprometer a integridade do Pantanal, desconsiderando a dinâmica natural do sistema hídrico. O evento integrou a agenda da COP15, com o objetivo de apresentar uma Carta Aberta sobre a hidrovia a autoridades, incluindo a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima.




