Eu sempre penso que, quando algo nos incomoda na pesquisa, a crítica deve começar por nós mesmos. A autocrítica ocupa um lugar central na tradição reflexiva. No entanto, essa autocrítica não pode ignorar que não pensamos nem escrevemos no vazio. Tudo o que fazemos enquanto pesquisadores é sempre para um público e para a sociedade de forma mais ampla.
A polarização é um fenômeno complexo que pode influenciar a forma como nossas ideias são recebidas e circulam. Isso pode fazer com que o esforço de suspensão de valores seja mais difícil de sustentar.
No entanto, é preciso cuidado para que nossos fantasmas não atrapalhem a nossa objetividade. Em contextos de alta polarização, os fantasmas parecem sempre prontos a ser projetados sobre o outro antes mesmo que o argumento possa ser escutado.
A pesquisa de recursos naturais é um caminho recorrente na América do Sul, marcada por abundância de recursos naturais e desigualdades profundas. Isso pode influenciar a forma como nossas ideias são recebidas e circulam.




