Às margens do Córrego Bandeira, no Bairro Piratininga, em Campo Grande, convivem famílias e empresários em um cenário de incerteza. As famílias, que ocupam a área por falta de alternativa, se veem ameaçadas por uma ordem judicial de despejo, enquanto os empresários alegam ter adquirido o espaço por meio de contrato de comodato. Embora a ordem tenha sido suspensa temporariamente, a situação voltou a gerar apreensão após a publicação de um edital pelo Ministério Público.
Luciana Araium Pinheiro, de 48 anos, é uma das moradoras dessa região. Ela construiu sua casa com a ajuda de vizinhos e vive com três filhas, enfrentando desafios diários, incluindo a dependência da filha mais velha, que possui paralisia cerebral e tetraplegia. A renda da família é composta principalmente pelo Benefício de Prestação Continuada (LOAS) e pela venda de doces na feira central de Campo Grande, o que complementa a renda familiar.
Antes de ocupar o terreno, Luciana pagava aluguel e afirma que a maior parte de sua renda era consumida por contas básicas. Ela calcula ter investido cerca de R$ 12 mil na construção da casa, que conta com infraestrutura improvisada para água e energia elétrica. Luciana também aguarda há anos por uma casa popular, sem nunca ter sido contemplada em suas tentativas junto à Agehab e à Emha.
A insegurança predomina na vida de Luciana e de outros moradores, que temem a possibilidade de perder suas casas e voltar a enfrentar a falta de moradia fixa. A área, cercada por vegetação, aumenta a sensação de vulnerabilidade. Luciana expressa seu medo ao imaginar que um trator pode chegar a qualquer momento para destruir o que construiu com tanto esforço.




